terça-feira, 7 de setembro de 2010

O outro lado da linha


Essa história foi contada por uma antiga amiga. Aconteceu em Belém do Pará 10 anos atrás com uma senhora chamada Eleonora. Ela, é uma pessoa muito católica e, apesar da idade avançada nunca se restringiu a fazer sua costumeira ida a igreja como fizera desde os 30 anos. Tem os cabelos lisos e brancos até a altura do ombro e nunca sai de casa sem sua sombrinha - sugerida pelo seu médico para proteger a frágil pele que adquirira tanto pelo tempo quanto por uma rara doença que apesar não aparentar nenhum sintoma visível poderia causar sérios danos ao constante contato com o sol - e um de seus vestidos floridos que eram bordados por suas filhas.
A missa que Eleonora freqüentava era sempre feita pelo padre João aos Domingos as 16 horas na igreja da Trindade, porém no dia em questão ela ficou impossibilitada de seguir sua rotina porque as obras na fachada que haviam começado no meio da semana não tinham acabado devido um dos pedreiros que estavam trabalhando falecesse assassinado por uma briga de bar fazendo assim com que seus colegas de trabalho/amigos interrompessem seus deveres por dois dias de luto adiando o término do serviço.
Evandro, o marido de Eleonora - única pessoa que dividia a casa com ela - sempre que a esposa ia rezar ia assistir algum jogo de futebol na tevê na casa seu filho mais velho, Eduardo e nesse dia passaria justamente o jogo do time de coração dele contra o maior rival, não queria perder de jeito nenhum, mas ver que sua mulher ficaria em casa sem ter nada pra fazer o fez hesitar um pouco.
_ Você não quer ir comigo?
_ Não obrigada, eu não quero ficar lá só ouvindo gritos de vocês.
_ E você vai ficar fazendo o que aqui mulher?!
_ Eu vou ficar lendo_ respondeu Eleonora mais para relaxar o marido, pois na realidade estava sem vontade de fazer nada._ Pode ir assistir seu futebol tranquilo.
Apesar de continuar inquieto com a situação seguiu o conselho da sua esposa e saiu de casa. Não se passou nem 10 segundos quando Evandro bateu a porta o telefone tocou. "Quem pode ser essa hora?"pensou Eleonora pelo fato de todas as pessoas que conheciam o casal saberem que nesse horário, em um dia comum, eles não estariam em casa.
_Alô ! _ disse Eleonora.
O telefone ficara mudo como se alguém só quisesse ouvir a voz dela.
_Alô?! _ Insistiu ela.
Não se ouvia um ruído sequer do outro lado da linha.
Eleonora tirou o gancho do ouvido para desligar o telefone quando ouviu uma voz falar:
_Eleonora.
_Quem é?!_ Perguntou colocando o gancho novamente no ouvido.
_Aqui é Augusto Soarez.
_Eu não conheço nenhum Augusto Soarez _ pensou Eleonora.
_Eu queria que você fosse para a minha missa.
Enquanto ela ouvia a voz grave e calma a convidar conseguia escutar também o som de uma banda como se tivesse ensaiando.
_Mas da onde eu conheço você?!_Perguntou desconfiada.
_ Começa as 18 horas na igreja de Nazaré_ Respondeu Augusto com a voz embargada como se fosse chorar_Se você puder ir eu ficarei muito grato.

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