quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O outro lado da linha (Continuação)


_Mas eu..._ disse Eleonora quando desligaram o telefone do outro lado.
Ela ficou um bom tempo se perguntando quem seria esse tal Augusto e por que tanto interesse que ela fosse nessa tal missa dele. A primeira impressão que tivera foi que se tratava da pessoa que trabalhava no coral da igreja, embora não se lembrasse de alguém chamado Augusto. O fato é que ela não ficou interessada em ir nessa tal missa de alguém que ela não se lembra.

Faltando vinte minutos para a hora da missa que Eleonora fora convidada ela ouve alguém tocar a campainha da sua casa. Ela olhou no olho mágico e viu a silhueta pálida de sua melhor amiga, Hermênia.

_Oi Hermê_ cumprimentou ela sorrindo._Tudo bem?

_Tudo _ disse a amiga entrando na casa antes de ser convidada._ Eu queria te fazer um convite.

_ Qual?_ Indagou fechando a porta.

_ A igreja da Trindade ta fechada né?

_ Sim, mas qual é o convite?

_ Bom já que você não vai a sua igreja hoje, eu queria que você fosse comigo a uma missa_ respondeu Hermênia sem jeito.

_ Que missa?

_ Uma amiga me convidou, mas eu não queria ir só.

_ Onde é?

_ É na igreja de Nazaré.

Eleonora é uma pessoa que se impressiona fácil com as coisas e o fato de receber pela segunda vez o mesmo convite, concerteza a fez achar que não se tratava de apenas coincidência.

_ Que horas?_ Perguntou sentindo um frio na barriga.

_ 18 horas, to um pouco atrasada,_ Respondeu Hermênia ainda constrangida. _sei que deveria ter chamado você antes, mas é que só agora...

_Tudo bem, eu vou_ falou decidida, embora estivesse um pouco nervosa.

_Jura?! _ Perguntou animada.

_Claro, espera aqui que vou me aprontar.

_Muito obrigada mesmo_ Agradeceu Hermênia.

_Não é nada.

Quando as duas chegaram na igreja, a missa já havia começado. Elas sentaram-se na ultima fileira ao lado de um senhor que estava ajoelhado com as mãos no rosto. Notoriamente o clima no local estava triste, algumas pessoas choravam mais a frente, outras rezavam com tamanha vontade que pareciam estar desesperados. A verdade é que as únicas pessoas que realmente estavam prestando atenção nas palavras do padre eram as duas que chegaram por ultimo.

_Do que é essa missa?_ perguntou Eleonora já imaginando o que a outra responderia.

_É uma missa de sétimo dia.

_Quem faleceu?!

_Eu não sei ao certo, mas parece que foi o sobrinho da minha amiga.

As duas ouviram todas as orações que o padre fizera e no final Eleonora rezou em silêncio pelo rapaz que havia morrido.

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