sábado, 11 de julho de 2009

Um estranho vizinho

A casa número 6 da rua Monese era alvo de inúmeros boatos no mínimos esquisitos de seus vizinhos, talvez pelo fato de que apesar de saberem que alguém residia ali não existia qualquer evidência que provasse isso. A casa parecia abandonada embora ainda houvesse resquícios da beleza que outrora fora predominante e o dono era avistado somente no sexto dia do mês quando este viajava por uma semana e retornava para seu isolamento na mansão.

As crianças de Monese afirmavam veementemente que a casa era assombrada e o dono havia feito um pacto que precisava renovar mensalmente para poder viver. A verdade é que poucas pessoas na cidade já haviam visto o rosto do estranho morador que costumava andar sempre encapuzado como se tivesse medo do sol o que apimentava ainda mais a imaginação – alguns afirmavam que se tratava de ancião decrépito, outros diziam que se tratava de uma pessoa desfigurada que não possuia boca e tinha somente um olho.

– Ouvi dizer que se trata de um louco – comentou com os amigos Hamilton, um velho aposentado que passava a vida jogando xadrez, durante uma partida na qual o amigo/adversário passara um bom tempo pensando.

– Ah, tudo mentira, deve ser um cidadão querendo um pouco de paz e que ainda tem que conviver com vizinhos bisbilhoteiros – protestou um idoso que aguardava sua vez de jogar, lançando um olhar de censura para todos os amigos.

– Você não entende de nada mesmo não é Saulo? – perguntou outro idoso que se chamava Amadeu também esperando terminar a partida. – Deve ser por que quase não enxerga mais, não tem mais dentes e os ouvidos precisam de aparelho auditivo pra ouvir 30% do que falam.

Resmungos de Saulo não foram o suficiente para frear as longas risadas dos companheiros de xadrez. Finalmente Hamilton disse:

– Ele pode ter razão sobre querer paz, mas ele não pode negar que há muitos mistérios naquela mansão.

– Verdade ­– concluiu o senhor que continuava pensando na jogada seguinte.

– Há quem diga que coisas sinistras residem naquela casa além do dono – falou Amadeu apontando na direção da mansão. – Se vocês prestarem atenção em um detalhe concordarão comigo. A casa é número 6, certo? Ele sai de lá exatamente a cada dia 6 do mês e meus velhos amigos, sabem quantas letras tem o nome da nossa rua Monese? Isso mesmo. 6. Meia meia meia. O número da besta.

Todos permaneceram boquiabertos com a informação que encerrava o assunto.

– Verdade – disse Dalmo quebrando o silêncio e finalmente jogando.

­– Xeque-mate – anunciou Hamilton movimentando sua peça quase instantaneamente depois da jogada do amigo.

– Perdi – lamentou o outro.

8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei Igor...ancioso pelo resto...abraçao

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  3. haha gosteii tbm.. quero ler o resto ³ ;*

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  4. sou sua 1ª seguidora ;)
    me segue lá tbm huashu
    http://bmizuki.blogspot.com/

    bjsbjs

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  5. mann posta logo a continuação u.u fiquei curiosa HUASHUAHUS :b

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  6. Meu filho querido, vc é um autor nato, nunca perca a vontade d contar suas histórias e divulgar como está fazendo agora, muito bom!!parabéns, vou divulgar hein?
    bjs

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